Comida boa tem em muitos lugares. Porém são poucos que proporcionam experiências gastronômicas memoráveis. A visita ao Maní foi mais do que um simples jantar, foi um ritual que começou com a longa espera e terminou mais de três horas depois que chegamos ao restaurante.
A espera de quase uma hora passou voando: para acompanhar o vinho provamos as mini bruschettas com queijo brie, presunto parma, figo e mel que nos entreteve por um bom tempo. Aproveitamos também para olhar o cardápio com calma e observar o ambiente que é tão encantador quanto ao site deles!
A escolha do prato não foi fácil. O cardápio parece o resultado de uma longa pesquisa científica: novas texturas e novas técnicas intrigam os clientes já acostumados com os clássicos como a salada Waldorf, que na versão “normal” leva maçã, nozes e salsão picadinhos e a versão “Helena Rizzo” vem com gelatina de maçã, sorbet de salsão e nozes carameladas.
O Thiago escolheu o peixe do dia (robalo) a baixa temperatura no tucupi com banana da terra, seduzido pelo tucupi, que ele, erroneamente, acreditava ser o responsável pela sensação anestésica dos poucos patos no tucupi provados na vida. (O ingrediente anestésico é uma erva chamada jambu). O peixe estava tenro e não tinha o sabor super suave. A espuma completava a leveza do prato e o Thiago nem pareceu desiludido por não ter sentido a ardência na boca.
Peixe do dia a baixa temperatura no tucupi
Eu pedi a paleta de cordeiro cozida a baixa temperatura com tubérculos assados e farofa de castanha do pará. A carne estava muito macia e sem gordura e os tubérculos (batata, batata-doce, madioquinha) assados perfeitamente. A farofa era bem gostosa também, mas achei que deixou o prato muito seco (tive a impressão de que o molho da carne não foi suficiente para balancear a secura da farofa).
Paleta de cordeiro cozida a baixa temperatura
Para finalizar, pedimos a espuma de nutella com sorvete de gengibre e calda de mexerica. A espuma estava divina, o sorvete delicioso (apesar da bola ser minúscula) e a calda mal conseguimos provar (são esses quatro pontinhos amarelos que aparecem na foto e mais parecem decoração do prato.
Os preços não são lá muito convidativos, mas achei que valeu muito a pena pela experiência que tivemos. O Maní não é um restaurante para todo dia, é especial e deve ser visitado para ser surpreendido. Acredito que o Maní antecipou a nova tendência oferecendo ingredientes naturais e valorizando o que temos no Brasil.
Maní
Rua Joaquim Antunes, 210 - Jardim Paulistano
Tel: 3085-4148
